Em Quadrinhos

Um passeio pela Nona Arte

Por que Nona Arte?

Publicado por Priscilla Cerencio em 21/05/2009

Em 1923, Ricciotto Canudo, um brilhante crítico e visionário do cinema, publicou o Manifesto às Sete Artes:

“Na minha Psicologia Musical das Civilizações (1908), eu já notava que a Arquitetura e a Música tinham formulado imediatamente essa necessidade inexorável do homem primitivo, que buscava “fixar” todas as potencialidades plásticas e rítmicas de sua existência sentimental. Fabricando sua primeira cabana, e dançando sua primeira dança com o simples acompanhamento da voz que cadenciavam os batimentos dos pés sobre o solo, ele havia encontrado a Arquitetura e a Música. Em seguida, ele embelezava a primeira das figurações dos seres e das coisas dos quais ele queria perpetuar a lembrança, ao mesmo tempo ele acrescentava à Dança a expressão articulada de seus sentimentos: a fala. De tal modo, ele havia inventado a Escultura, a Pintura e a Poesia; ele havia acurado seu sonho de perpetuidade no espaço e no tempo. O Ângulo estético se colocou desde então diante de seu espírito.”

Após anos de defesa, neste Manifesto, Canudo integra o Cinema ao patamar de Arte, a última e mais completa de todas, a Sétima Arte (não vou me aprofundar nisso porque iria demorar). Mas, é claro, Canudo morreu e a modernidade, deu lugar à pós-modernindade.

E na pós-modernidade, onde todo mundo fala o que pensa, acha que tudo é relativo e que a democracia da opinião está acima do conhecimento, novas técnicas e tecnologias foram aparecendo e se destacando no mundo. A essa altura, criou-se (sabe-se se lá quem, porque conhecimento popular raramente vem com autoria) uma Nova Lista de Sete Artes contemporânea, pós-moderna:

1.Música (som) [som? som afinado? som bonito?]

2. Dança (movimento) [ninguém se mexia antes disso]

3. Pintura (cor) [conceitozinho bizarro para justificar pintura, mas enfim...]

4. Escultura (volume) [idem comentário acima]

5. Teatro (representação) [ufa...]

6. Literatura (palavra) [até que enfim...]

7. Cinema (união de todos) [desde que se defina cenários e cidades como esculturas, descarte o cinema colorido e só se pense em musicais, até que vira a junção dos anteriores]

Ao menos manteve-se a sétima arte do pobre Canudo. Mas aí virou bagunça de vez. Sabe-se lá de onde, surgiu a idéia de defender a Televisão como oitava arte, por causa da capacidade de transmissão ao vivo, fato que deixou a Fotografia em crise, afinal ela já era mais velha que a televisão e o cinema e nem estava na lista. E as duas começaram a disputar a categoria de oitava arte (que nem sei se foi decidida).

A Arte Sequencial, mais conhecida como histórias em quadrinhos, veio chegando de mansinho e se apossou do título de Nona Arte.

Atrás dela vieram correndo o Vídeo-Game (mistura de música, pintura, escultura [arquitetura seria melhor], literatura e arte sequencial) garantindo a décima posição e a Arte Computacional, com suas incríveis programações em 2D e 3D [como se fosse possível programar os video-games sem computador, mas enfim...].

A brincadeira de inventar arte vai mudando e crescendo conforme o tempo passa, mas o que importa nesse post é: foi assim que surgiu a designação de quadrinhos como Nona Arte.

Fim.

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Qual a diferença entre cartum, charge e caricatura?

Publicado por Priscilla Cerencio em 21/05/2009

Eis uma pergunta chata de responder.

Cada teórico que leio defende um conceito diferente para cada um destes tipos de quadrinhos, há até quem defenda que cartum na verdade é uma tira reduzida, quase que uma história em quadrinhos curtíssima, mas enfim… não vou defender a idéia de ninguém aqui, até porque acho que ainda desconheço muito do assunto.

Na minha percepção (e isso é incrivelmente pessoal) os conceitos seriam algo do tipo:

Cartum: Um único painel que contém uma única imagem capaz de transmitir uma mensagem, geralmente humorística.

Charge: Um cartum cuja mensagem transmitida é um comentário ou crítica a um fato historicamente localizado. Uma charge sempre remete a um acontecimento real e transmite uma mensagem pontual. Com frequencia utiliza-se humor para satirizar questões contundentes e que devem (ou deveriam) ser conhecidas e questionadas pelos leitores.

Caricatura: Desenho que enfatiza e exagera determinados aspectos físicos de um personagem de forma humorística.

A utilização do humor, de certa forma, une estes três estilos de quadrinização, mas não é necessariamente obrigatório. No Brasil nos deparamos bastante com estas produções quando fala-se de crítica política. É fácil encontrar por aí personagens caricaturizados sendo criticados por atitudes ou decisões super atuais, basta abrir um jornal.

Essa realmente não é a minha área, mas acho que ficou inteligível.

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O que são Histórias em Quadrinhos?

Publicado por Priscilla Cerencio em 12/05/2009

Histórias em Quadrinhos são narrativas, curtas ou longas, de diferentes estilos e gêneros, contadas de uma forma artística em uma sequência de quadros.

Ficou difícil? Na prática talvez seja melhor para entender. André Dahmer vai nos emprestar a arte dele para explicar melhor…

Acima temos uma história (= narrativa). Ela começa no primeiro quadro e termina no terceiro quadro.

Esta é uma história curta. Geralmente histórias curtas possuem três ou quatro quadros colocados lado a lado. Por esta razão, as histórias curtas são comumente chamadas de tirinhas.

Os adultos, talvez alguns adolescentes também, perceberão que esta história faz uma crítica através do humor. Este é o gênero da narrativa.

Agora, a parte essencial, se apagássemos o texto escrito e deixássemos somente a imagem, o sentido da história mudaria? Talvez, depende da sua criatividade. Mas, se tirarmos o texto, ela deixa de ser uma história em quadrinhos? Não! Ainda existe uma história, mesmo que parte do enredo (ou da piada, se preferir) seja perdido. As histórias em quadrinhos, podem ou não ter partes escritas.

A essência da história em quadrinhos está na continuidade que ela proporciona. Mesmo que o André Dahmer não tivesse indicado que há um espaço de tempo de sete horas entre uma tira e outra, nós saberíamos que passou algum tempo. Quanto tempo passou vai da nossa criatividade.

Então, partindo dessa idéia podemos dizer que livros e revistas em quadrinhos, tirinhas de jornais e mangás são todos histórias em quadrinhos? Sim! Cada um dentro de sua especificidade, mas todos são histórias em quadrinhos.

E cartuns, caricaturas e charges também são? Não! Não são! Estes três possuem apenas um quadro com o desenho dentro (quando tem quadro). Apenas um quadro pode transmitir uma idéia, mas não pode contar uma história, nem tem uma passagem de tempo dentro dele. Mas este contexto fica para o próximo post…

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