Em 1923, Ricciotto Canudo, um brilhante crítico e visionário do cinema, publicou o Manifesto às Sete Artes:
“Na minha Psicologia Musical das Civilizações (1908), eu já notava que a Arquitetura e a Música tinham formulado imediatamente essa necessidade inexorável do homem primitivo, que buscava “fixar” todas as potencialidades plásticas e rítmicas de sua existência sentimental. Fabricando sua primeira cabana, e dançando sua primeira dança com o simples acompanhamento da voz que cadenciavam os batimentos dos pés sobre o solo, ele havia encontrado a Arquitetura e a Música. Em seguida, ele embelezava a primeira das figurações dos seres e das coisas dos quais ele queria perpetuar a lembrança, ao mesmo tempo ele acrescentava à Dança a expressão articulada de seus sentimentos: a fala. De tal modo, ele havia inventado a Escultura, a Pintura e a Poesia; ele havia acurado seu sonho de perpetuidade no espaço e no tempo. O Ângulo estético se colocou desde então diante de seu espírito.”
Após anos de defesa, neste Manifesto, Canudo integra o Cinema ao patamar de Arte, a última e mais completa de todas, a Sétima Arte (não vou me aprofundar nisso porque iria demorar). Mas, é claro, Canudo morreu e a modernidade, deu lugar à pós-modernindade.
E na pós-modernidade, onde todo mundo fala o que pensa, acha que tudo é relativo e que a democracia da opinião está acima do conhecimento, novas técnicas e tecnologias foram aparecendo e se destacando no mundo. A essa altura, criou-se (sabe-se se lá quem, porque conhecimento popular raramente vem com autoria) uma Nova Lista de Sete Artes contemporânea, pós-moderna:
1.Música (som) [som? som afinado? som bonito?]
2. Dança (movimento) [ninguém se mexia antes disso]
3. Pintura (cor) [conceitozinho bizarro para justificar pintura, mas enfim...]
4. Escultura (volume) [idem comentário acima]
5. Teatro (representação) [ufa...]
6. Literatura (palavra) [até que enfim...]
7. Cinema (união de todos) [desde que se defina cenários e cidades como esculturas, descarte o cinema colorido e só se pense em musicais, até que vira a junção dos anteriores]
Ao menos manteve-se a sétima arte do pobre Canudo. Mas aí virou bagunça de vez. Sabe-se lá de onde, surgiu a idéia de defender a Televisão como oitava arte, por causa da capacidade de transmissão ao vivo, fato que deixou a Fotografia em crise, afinal ela já era mais velha que a televisão e o cinema e nem estava na lista. E as duas começaram a disputar a categoria de oitava arte (que nem sei se foi decidida).
A Arte Sequencial, mais conhecida como histórias em quadrinhos, veio chegando de mansinho e se apossou do título de Nona Arte.
Atrás dela vieram correndo o Vídeo-Game (mistura de música, pintura, escultura [arquitetura seria melhor], literatura e arte sequencial) garantindo a décima posição e a Arte Computacional, com suas incríveis programações em 2D e 3D [como se fosse possível programar os video-games sem computador, mas enfim...].
A brincadeira de inventar arte vai mudando e crescendo conforme o tempo passa, mas o que importa nesse post é: foi assim que surgiu a designação de quadrinhos como Nona Arte.
Fim.
